Transtornos alimentares e obesidade

Hoje, gostaríamos de iniciar nossa interação com o seguinte conto:

Um cortesão, da corte do grande imperador mongol Akbar, traçou com um giz uma linha no chão e pediu a Mahadesh Das para encurtá-la sem tocá-la nem apagá-la. Mahadesh Das então abaixou-se e traçou outra linha mais longa ao lado da primeira.”

Esta história nos faz pensar nos inúmeros pacientes em tratamento da obesidade e/ou transtornos alimentares que trazem para as sessões de psicoterapia seu sofrimento por se compararem com outros pacientes que, segundo seus julgamentos, estão obtendo mais sucesso no tratamento por estarem emagrecendo mais e em menos tempo.

Estudos sobre o perfil de pacientes que apresentam algum tipo de transtorno alimentar apontam que essas pessoas geralmente são muito autocríticas, perfeccionistas e apresentam uma crença sobre si mesmas de incapacidade e inferioridade. Ou seja, acreditam que não conseguem ter controle de seus atos e de seu corpo por ser incapazes ou inferiores aos outros. Elas se consideram diferentes dos demais e é comum afirmarem: “Eu gostaria de ser “normal” como o meu vizinho, como a minha colega de trabalho! Eles não têm esse problema com o peso e com a comida!”

Essas pessoas tendem a hipervalorizar seu peso e forma corporal, associando-os com sua autoestima. Utilizam tais aspectos como indicadores de sucesso, competência, superioridade e valor pessoal. Assim, a sua capacidade de controlar a sua alimentação torna-se um indicador de autocontrole, levando-as a desenvolver uma baixa autoestima quando perdem o controle sobre a própria alimentação.

Embora em muitas situações possamos focalizar o deslize, a falha, o descontrole, chegando ao ponto de distorcer a realidade, é possível que aprendamos a focalizar também nossos recursos internos positivos, nossas qualidades e potencialidades, usando-as a nosso favor.

Queremos dizer que muitas vezes procuramos medir nosso sucesso em comparação às conquistas dos outros e, mesmo que a comparação possa nos ajudar a perceber onde queremos chegar, é muito importante que valorizemos a nossa própria trajetória. Também é muito importante nos conscientizarmos de que, em primeira instância, nós somos os principais responsáveis por nossas escolhas e pelo resultado a que nos propomos alcançar. Ser mais leve é escolha e responsabilidade primeira de cada um!

Sabemos que mudar a forma de percebemos a nós mesmos, de melhorar a autoestima e de manter um corpo saudável pode ser desafiador e nem sempre conseguimos sem o apoio profissional. Se esse for o caso, recomendamos que busquem por profissionais especializados para ajudá-los em seu tratamento!

*Texto inspirado pela psicóloga Mariana Borges do Instituto Milton H. Erickson de Belo Horizonte.

Equipe de Psicologia Hospital IMO

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